segunda-feira, 17 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Agropecuária Daniela -
Um case de sucesso da pequena empresa no cluster da fruticultura irrigada
do vale do rio São Francisco.
(APRESENTADO no XXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, EDITADO NOS ANAIS DO ENEGEP,UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, 2003)
Prof. Dr. Luis
Eduardo Carvalheira de Mendonça (Unicap)
lcm@unicap.br ; lcm1702@gmail.com
Esta comunicação
relata o case de sucesso da Agropecuária Daniela, uma fazenda de 50 hectares,
situada na região do vale do Rio São Francisco. A empresa em foi agraciada, nos
anos 2000 e 2001, com o Prêmio Destaque Empresarial outorgado pelo SEBRAE-PE E
GRUPO GERDAU e integra o livro ‘Empresários Vencedores e suas histórias de
sucesso’, também editado pelo SEBRAE-PE
(Mendonça, 02).O ponto de vista defendido é que a empresa em tela vem obtendo sucesso em virtude de sua
integração em um mecanismo de desenvolvimento da região, típico de um
cluster.Tal superestrutura social, formatado institucionalmente como um Board,
denomina-se BGMB - BRAZILIAN GRAPE MARKETING BOARD e funciona como um dos
agentes catalisadores – de formação de pessoal, compras, vendas, logística e
marketing - da produção de uva da região, em especial para o mercado
internacional.
Palavras-chave: agricultura irrigada,
cluster, nordeste e pequena empresa.
1.Introdução
Das
terras da Agropecuária Daniela, às margens do Rio São Francisco, exporta-se a uva
que vai abastecer parte dos supermercados da Europa. Assim, é preciso que o
leitor faça um exercício de imaginação e veja-se comprando uva em uma loja da
cadeia britânica de supermercado Mark & Spencer e na caixa de papelão onde
se encontra a fruta, enxergue as marcas de duas firmas.Primeiro, o nome do
Trade BGMB - Brazilian Grape Marketing
Board – a organização responsável pelo merchandising internacional da
produção de uvas do Vale do São Francisco e, em segundo, a marca da
Agropecuária Daniela. Este é o caso da Agro-pecuária Daniela de propriedade de
Giovanni e Daniela Scanggiante, um casal de italianos que trocou as águas do
Grande Canal da cidade de Veneza, na Itália, pelas águas da região do
semi-árido do Rio São Francisco, o famoso velho Chico como também é conhecido,
que se localiza no Nordeste do Brasil.
Na verdade, o que chama atenção aqui é a materialidade, palpável e
tangível desta grande, longa e complexa operação.Não se trata de propriamente
de uma operação financeira e, portanto, gráfica e imaterial de investimentos de
ativos financeiros, hoje tão comum na globalização.Diz respeito concretamente à
uva verde, tipo Itália, plantada e colhida, aqui, no Nordeste, que faz esta
longa viagem de Petrolina para Londres.Para que isto aconteça, todavia, de
forma não aparente, porém, eficaz e eficiente, providências variadas ocorrem.
São desencadeadas operações diversificadas, complexas e seqüenciadas por
organizações dos mais diferentes formatos e profissionais das mais distintas
qualificações, tanto brasileiras quanto internacionais para que o consumidor
inglês possa chegar no supermercado e tenha condições, se desejar, de adquirir
a preços competitivos, a uva proveniente do São Francisco. Produção, manejo,
colheita, logística, finanças e marketing são as áreas da administração que vão
se alinhar para formar a cadeia produtiva que viabiliza este interessante e
atraente cluster em formação da
fruticultura irrigada.
O
conceito mais divulgado desta nova figura de desenvolvimento regional foi
criado por Michael Porter que assim o enunciou: “Os clusters (grupos,
agrupamentos ou aglomerados) são concentrações geográficas de empresas de
determinado setor de atividade e companhias correlatas de fornecedores de
insumos a instituições de ensino e clientes” (PORTER, 99).No documento
intitulado “Iniciativa Por Pernambuco - Uma Estratégia de Desenvolvimento com
base em Cadeias Produtivas para Pernambuco” o governo do Estado de Pernambuco
classifica a região da fruticultura irrigada, ao lado das áreas de turismo,
avicultura, médico-hospitalar, gesso e informática como clusters não maduros e
por isso mesmo alvos de atenção de políticas para sua formação”.(INICIATIVA POR
PERNAMBUCO GOV. PE,99). Ainda, em interessante artigo no mesmo sentido os Professores
Abraham Sicsú e Reynaldo Ferreira Junior
sustentam que a entidade clusters seria
um modelo normativo que pode ser
perseguido através de políticas conducentes a tal configuração. (SICSÚ E
FERREIRA JÚNIOR, 00)
2.O casal de empreendedores.
De forma não muito diferente de executivos de
empresas européias, Giovanni Scaggiante e sua esposa Daniela - pessoas que
estão na faixa dos cinqüenta anos – esperavam, no começo da década passada,
aproveitar a fase mais madura da vida passeando e viajando pelo mundo em busca
de conhecer pessoas e lugares interessantes. Nada mais justo.Seria um projeto
merecido para eles. A vida, entretanto, lhes reservara uma grande
surpresa.Convidados a participarem, como sócios capitalistas de um
empreendimento no Vale do São Francisco, eles , após um curto período de tempo,
acharam que iriam ter prejuízo e então resolveram assumir as rédeas de suas
aplicações. O cenário que se desenhou para eles foi, o seguinte: Sair de Veneza
para o Vale do São Francisco e imprimir novos rumos na vida, que significou
concretamente dar inicio a um empreendimento agrário no Brasil, no Vale do São
Francisco, território este que eles só conheciam de resultados e de relatos de
sucesso de patrícios vitoriosos. Não fora assim, o casal como experts em analise de empresas do ramo
de vinhos, não teriam sido sócio capitalista na área.Mas, uma coisa é eles
conhecerem as finanças e até terem auditado eventualmente empresas semelhantes
no mundo.Outra é mudar para um novo país de malas e bagagens, outra cultura,
outra economia e daí meter a mão na massa para do nada levar a cabo um projeto
de fazenda.
Mas, o que trouxeram da Itália? Trouxeram a
experiência de vida de pessoas viajadas e conectadas à economia
internacionalizada de hoje, o know-how de Giovanni ,adquirido na área de
empresas do setor vinícolo e valores do trabalho, da disciplina, da ordem, da
dedicação e do sentido da poupança, que apesar de intangíveis, vieram na cabeça
deles.
É
bom, lembrar ainda que a Itália é um país de forte tradição no cultivo de
vinhos e de tradição marcante no campo de empresas de pequeno e médio portes
bem sucedidas. A respeito deste assunto é importante considerar o fato de que a
Itália é um dos paises onde a taxa de mortalidade de empresas é
significativamente mais baixa do que no Brasil. Em matéria sobre Empreendedores
a Revista PEGN faz a seguinte comparação:. “Perto de 70% das micros e pequenas
empresas brasileiras fecham suas portas em até 42 meses de operação. Na Itália,
esse índice é de 13% e, nos Estados Unidos, oscila entre 10% e
20%”.(BERGAMASCO. 00) É uma nação que exporta tecnologia de gestão moderna de
micro e pequenas empresas e também oferece ao mundo formas associativas de
forte sinergia como é o caso dos clusters de moveis da região de Brianza , de Alimentação
em Parma, de Jóias de Arezzo e Valenza Pó, entre outros importantes conhecidos
no país, conforme destaca Michael Porter (apud ZACCARELLI, 00).
Para começar
as coisas nem sempre foram promissoras.Houve varias dificuldades e diversos
erros foram cometidos, tanto na área comportamental como na de relações do
trabalho.Pesaram contra eles a desinformação de traços da cultura brasileira, o
fato desta região ser uma área de conquista, e como costuma acontecer no mundo
inteiro, é sempre muito atraente para todo tipo de aventureiro, tanto patrão
como empregado.
Já no que diz respeito à sua inserção
na BGMB a integração do casal é total e entusiasta.Em certa medida, parece que
devido aos padrões de programação, qualidade e produtividade exigidos, tudo
indica que este mecanismo internacional os reintegrou à Europa.A declaração
abaixo de Giovanni dá a dimensão do que está afirmado.
“Aqui em Petrolina, a gente está com
sorte porque a gente está unida ao BGMB. O BGMB é um grupo de produtores que se
reuniu, que fundou uma associação, que está funcionando muito bem e que também
pode entrar o pequeno produtor. Eu sou vice-presidente desse grupo. O pequeno
tem condições de entrar nesse grupo. Tem condições de aumentar, de crescer. O importante é que ele
deve ter a mentalidade de grande empresa, tem que ter a mentalidade de produzir
uma uva de qualidade.Tem que ter a mentalidade de empresário. Tudo isso faz que
ele – pequeno – também seja um grande empresário. E tem a possibilidade de
exportar como um grande empresário. No Grupo a gente tem pequeno empresário,
com 6, 7 hectares de uva e está caminhando com a gente, ganhando dinheiro, e
está sobrevivendo, está crescendo como está crescendo uma grande empresa.Lá
fora o BGMB é um nome, é uma garantia de qualidade. Mas tudo junto. Portanto, o
grande para ficar em pé precisa também do pequeno.Eu acho que é uma das
melhores associações mundiais que a gente tem. A gente está com sucesso. Vou
dizer alguns dados para você. Essa associação começou a exportar 70, 80 mil caixas.
Agora a gente está mais ou menos com três milhões de caixas para exportar no
ano”.(SCCAGGIANTI, 02)
.
Giovanni
e Daniela estão mergulhados, de corpo e alma, no projeto de sua fazenda.Tudo
-dinheiro, raízes, trabalho, vida e esperança - está hoje fincado em Petrolina.
Eles passam um sentimento de adesão ao projeto, com crescente aquisição de
conhecimento sobre gestão de pessoas, sobre tecnologia produção de cultura e de
manejo de fruticulturas, de informações e busca de mercados, de criação de rede
de relacionamentos, de aperfeiçoamento de técnicas gerenciais de controle entre
as ferramentas principais praticadas, tudo levando a crer que, em virtude dessa
dedicação, a empresa vivencia um processo de desenvolvimento consistente.Está
longe, portanto, aquele cenário de serem somente sócios capitalistas do
empreendimento de outrem. Sobreviveram, portanto, ao ritmo frenético de tudo ou
nada dos investidores do Vale que freqüentemente entram capitalizados e
rapidamente empobrecem.A bem da verdade muitos proprietários de lotes que
iniciaram com eles estão hoje passando dificuldades
3.A empresa.
A empresa Agropecuária Daniela foi criada em 1996 e
está localizada no Perímetro Irrigado Nilo Coelho, lote 17, município de
Petrolina, em Pernambuco.O empreendedor que
investiu 200 mil dólares na região, desfrutando de todos os direitos de
cidadania brasileira. Dos 50 hectares que detém, 25 são destinados para Uva
verde de mesa.Seu principal mercado é o mercado externo e toda sua produção é
escoada para o consumidor europeu através da BGMB.Quando se associou a esta
organização, sua produção era de cinco mil caixas, hoje exporta quarenta, até
cinqüenta mil caixas. Emprega em torno
de 100 funcionários registrados e legalizados com carteira assinada, os quais
dão um rendimento a uma proporção de 3 a 3 1/5 homens por hectare, superior
portanto , a media da região que emprega em média 5h/ha.Esta rápida evolução deu-se, todavia
,em razão de sua integração no cluster como
veremos a seguir.
4.O cluster do Vale do São Francisco
Durante
as décadas de setenta e oitenta os esforços de desenvolvimento da agricultura
no país propiciaram alterações significativas na geografia econômica, social e
humana da região do Vale do São Francisco.Tais mudanças têm ocorrido
especialmente em razão da implantação de grandes investimentos públicos de
infra-estrutura rodoviárias e hídricas que atraíram novos capitais públicos e
privados para a mesma região provocando a “emergência de uma agricultura
empresarial” conforme documento da Embrapa, segundo o qual tais investimentos
resultaram em:
“Diversificação
da viticultura na área; grande expansão do território cultivado; maior aporte
tecnológico no setor; galpões climatizados e câmaras frias atingindo tanto
grandes como pequenos produtores dos projetos de irrigação. A produção de uva
no Nordeste concentra-se na região do Sub-médio São Francisco, onde sobressaem
os municípios de Santa Maria da Boa Vista e Petrolina, no Estado de Pernambuco,
com 54,05 da área cultivada, seguidos dos municípios de Juazeiro, Casa Nova,
Curaçá e Sento Sé, no Estado da Bahia, que detêm os 46% restantes da
área.”(EMBRAPA, 00).
Dado
relevante, também, diz respeito aos empregos gerados.As informações oficiais do
Ministério da Agricultura dão conta que: “A videira cultivada no Nordeste
aparece como aquela que proporciona a maior geração de empregos entre as
diversas culturas perenes e anuais, atingido mais de 5,0 empregos/ha/ano.
(BRASIL,97, CITADO EMBRAPA, 00) Em termos de estrutura social de posse das
áreas o documento da Embrapa ressalta ainda que a uva é uma cultura produzida
por diferentes estratos de produtores, com uma participação significativa dos
pequenos colonos dos projetos públicos de irrigação, que representam cerca de
70% do numero de viticultores, embora detenham somente 17% da área total
irrigada”.
Finalmente,
um dos aspetos da economia da região ressaltado por todos os empresários do
setor é a chamada política de “janelas” de comercialização das uvas nos
mercados interno e externo. Mas o que seriam essas “janelas” tão badaladas?
Seria uma grande vantagem que beneficia e favorece
toda esta região. Por que?
Vejamos o que diz o documento da Embrapa: “Convém ressaltar a especificidade da viticultura da
região semi-árida nordestina, em virtude da adaptação e do comportamento
diferenciado das plantas nestas condições climáticas. Assim sendo os processos
fisiológicos são acelerados, a propagação é muito rápida e em cerca de um ano e
meio, após o plantio, tem-se a primeira safra. Considerando-se que o ciclo da
produção oscila em torno de 120 dias , pode-se obter até duas safras e meia por
ano , mediante o manejo da irrigação e a
realização de podas programadas.Isto possibilita a produção durante todo o ano e
uma produtividade média da ordem
de 24/ha/ano, igual ou acima das obtidas nas demais regiões produtoras
brasileiras.Diferencial semelhante também é alcançado no plano internacional. A
produção do Vale do São Francisco é favorecida porque vende nas épocas normais
e também nos vazios deixados por paises grandes produtores de uva, com Espanha,
Israel e África do Sul. (EMBRAPA,OPUS CIT.)
A respeito, da
brecha aberta nestes mercados Reginaldo Viera, diretor da BGMB esclarece:
“O que seriam essas janelas? É um período em
que os outros países não estão exportando, por isso que a gente concentra nossa
exportação em abril e maio, e outubro e novembro. Então como a gente concentra,
no caso do abastecimento em outubro e novembro é quando o ciclo começa a chegar
em dezembro em dezembro. E nós mandamos até maio, porque em junho já começa
chegar a uva de Israel e começa a concorrer com a gente. A gente procura
colocar nossa uva de acordo com as janelas para não ter a competitividade”. (VIEIRA,
O2).
A formação
de organizações devotadas a conquistar e a defender espaços e interesses dos
produtores junto aos clientes nacionais e internacionais - isto é, a
concretização de investimentos no chamado capital social da região - dos
pequenos em cooperativas e, dos grandes produtores em associações como a
Associação dos produtores Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale
do São Francisco – Valexport, indica que as tecnologias de gestão
organizacionais adotadas estão alcançadas patamares mais complexos e modernos
revelando assim a face mais competitiva e moderna da região.Nesse sentido
merece destaque o aparecimento da superestrutura institucional denominada BGMB,
No próximo item, consideraçãoes relativas a este BOARD.
5.A
BGMB-Brazilian Grape Marketing Board.
Historiando suas origens, Reginaldo Vieira,
profissional da casa desde a sua fundação comenta:
“Muito recentemente, evoluímos de tal maneira
que uma das exigências é o controle de qualidade. Nós temos qualidade hoje,
nossa uva desfruta de qualidade na Europa. Conseguimos reduzir custos, frete
marítimo, frete rodoviário e de materiais e insumos. Nossas contas hoje são
feitas todas em pool, quando se agregam volumes, e ganhamos poder de barganha.
Nem todas as empresas aqui existiam. Há 10 anos atrás, foi quando nós criamos
um grupo para exportar. Tinha BGMB, mas, era uma coisa informal, era um grupo,
BGMB brasileiro. Um grupo informal que pertencia à Vale Export. A partir de 5
de março de 2002, nós criamos uma associação mesmo, registrada, com razão
social, com GCG e tudo.
Porque foi criada?
Porque, no passado, se fosse importar, não
poderia.Se você fosse comprar, o BGMB não poderia porque não tinha uma razão
social. Por exemplo: tem pequeno produtor que não pode importar 1000
sacolinhas. E o BGMB agora como empresa, pode trabalhar nisso e futuramente
fazer essa compra e depois repassar, porque o custo é muito alto. Importar mil
sacolinhas quando você importa 100 mil”.(VIEIRA, O2).
Sobre
sua composição Reginaldo Vieira informa que o BGMB reúne 19 associados. Dentre
eles, têm-se cooperativas, empresas de grande e médio porte e pequenos
produtores.
“De pequenos produtores eu citaria Agro
Aliança, a SAMBRA, a JMM e a Singer Agrícola que aderiu à BGMB recentemente. Em
termos de cooperativas, eu citaria Cooperativa Agrícola Juazeiro da Bahia –
CAJ_BA, que hoje são em torno de 50 cooperados, pequenos produtores; para
aderir ao BGMB ele entraria com uma cooperativa, como uma pequena empresa; você
agrupa 10 ou 20 produtores e entra como uma empresa, como exportadores. Nós
temos também o Carrefour, que tem 3 empresas aqui, que faz parte do Grupo, a
FRUTIMAR, aqui da Magnesita, a FRUTIVITA, e temos um caso de um pequeno
produtor também, a Agropecuária Daniela, do Sr. Giovanni, que atualmente é o
vice-presidente do Conselho de Administração da BGMB”.
(ENTREVISTA, O2).
Com base nos documentos do Board integram oficialmente a BGMB as
seguintes empresas: “Andorinhas Empreendimentos Ltda, Agricultura do Vale ltda
– Agrivale, Agro Aliança – Com. Imp. e Exp. Ltda, Agropecuária Labrunier Ltda,
Agropecuária Vale das Uvas Ltda, Agropecuária Orgânica do Vale S/A,
Agropecuária Daniela Ltda, Bella Fruta do Vale ltda, CAJ-BA – Cooperativa
Agrícola Juazeiro da Bahia Resp. Ltda, CYG Agrícola Imp. e Exp. Ltda, empresa
Brasileira de Frutas Tropicais Ltda – EBFT, Franbra Agropecuária Ltda, Frutex Exportação
e Importação ltda, Frutimag S/A, Frutivita S/A, JMM Agrícola Importadora e
Exportadora Ltda, Logos Butiá Agropecuária Ltda, mandacaru Comercial Ltda e
Santa Felicidade Agropecuária Ltda”. (BGMB, 02).
6.Conclusões
Com efeito, o papel do BGMB, como um dos catalisadores do cluster “em
formação” (INICIATIVA POR PERNAMBUCO, opus cit.) da fruticultura irrigada em
Petrolina é fundamental pelas seguintes razões:
i)
Congrega esforços de natureza cooperativa, criando uma condição de rede
de integração e cooperação horizontal entre as empresas da área;
ii)
Dá um salto qualitativo em
termos de uso de recursos não dependendo mais exclusivamente dos fatores
básicos e naturais de mercado;
iii)
Mobiliza, por esta mesma razão,
recursos de informação e de conhecimento dos participantes a respeito de
clientes e mercado, concorrentes e insumos e gestão;
iv)
Abandona o pressuposto clássico
e ultrapassado de desenvolvimento regional que depositava na ação exclusiva do
governo toda a responsabilidade de dirigir as estratégias de desenvolvimento
dos negócios em uma região.
Na verdade como evidenciam Fairbanks&
Lindsay, em estudo sobre os obstáculos ao desenvolvimento na América Latina,a
história do sucesso da exportação das
flores colombianas somente se alterou quando os empresários do setor resolveram
adotar novos comportamentos consistentes com sete novos padrões modernos de riqueza, a saber: “I)
desenvolvimento de fontes mais complexas de vantagem; II) investimento no
conhecimento de clientela mais exigente e sofisticada; III)compreensão e
melhoria da posição competitiva relativa; IV)estudo das oportunidades para
integração vertical; V) melhoria da cooperação entre as empresas; VI) empenho
em raciocínio produtivo e VII) controle das alavancas estratégicas de seu negócio”.(FAIRBANKS
&LINDSAY, 00).
Ora, a moldura institucional
do BGMB ora estudado, indica em grande medida, extensão e profundidade postura
semelhante dos empresários da fruticultura irrigada do Vale do São
Francisco.Ademais, é possível se inferir que, por um lado , o êxito da pequena empresa-Agropecuária
Daniela - se tornou realidade graças naturalmente ao espírito empreendedor
do casal -assunto trabalhado exaustivamente no livro (MENDONÇA, 02), mas , por
outro , a inserção da empresa na
plataforma do BGMB constituiu uma
catapulta fundamental e garantiu –lhe
um futuro promissor, como por sinal o próprio Giovanni declarou – “Acho que a
BGMB é uma das melhores associações mundiais do setor”.- na entrevista referida
acima.(SCAGGIANTI, 02).
REFERÊNCIAS:
BERGAMASCO, Cláudia, Esses
milhões que movem o mundo, Revista PEGN; Edit. Globo; Ano XIII – nº 144 –
janeiro 2001.
BGMB (Brazilian Grape
Marketing Board) – Ofício; Petrolina 17 de julho de 2002.
COELHO DE SOUZA LEÃO; JOSÉ
MONTEIRO SOARES. A viticultura no semi-árido brasileiro / editado por
Patrício. – Petrolina: Embrapa 2000.
VIERA, Reginaldo - Entrevista Concedida Ao
Autor da Comunicação. Petrolina.Julho de 2002.
FAIRBANKS, Michael, LINDSAY,
Stace; Arando o mar: fortalecendo as fontes ocultas do crescimento em países
em desenvolvimento; tradução Maria Motta – Rio de Janeiro: Qualitymark Ed.
2000.
MENDONÇA, Luis Carvalheira
de (org.) -Empresários vencedores e suas histórias de sucesso.-Recife:
Sebrae/PE 2002.
PORTER, Michael - Estratégia
Competitiva: Técnicas pra Analise de Industria e Concorrência
Rio:Campus,1996.
VALEXPORT – Há 14 anos
unindo forças para o desenvolvimento do vale do São Francisco e da fruticultura
brasileira. (documento s/data.).
SICSÚ, Abraham Benzaquem; Inovação
e região; Recife: Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, 2000.
SCAGGIANTI, Giovanni -
Entrevista Concedida Ao Autor da Comunicação.Petrolina.Julho de 2002.
ZACARELLI, Sergio – Estratégia
e sucesso nas empresas /S.Paulo: Saraiva, 2000.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
ASSIM NASCE UMA EMPREENDEDORA...
ASSIM NASCE UMA EMPREENDEDORA...
Esta é uma cena da cidade de Serra Talhada no interior de Pernambuco. De passeio por esta cidade deparei-me com a delicadeza desta criança, com sua barraca montada, exercitando seu espirito empreendedor.Fiquei emocionado são fotos de grande significado que que falam por elas próprias, resumindo toda a teoria de empreendedorismo que tem seu berço na escolha de cada pessoa e no apoio familiar (Veja-se a avó ao fundo). Mais dois detalhes que não devem passar desapercebido: 1- O estabelecimento tem donas: vovó e a menina e 2- Há um aviso nas laterais do guarda sol: aberto, absolutamente genial, ou seja, estão esperando os clientes... Uso-as nas minhas primeiras aulas da disciplina de Empreendedorismo e faço a pergunta instigante para o eu profundo de cada um: quem já vendeu alguma coisa em barraquinha na frente de sua casa?
Esta é uma cena da cidade de Serra Talhada no interior de Pernambuco. De passeio por esta cidade deparei-me com a delicadeza desta criança, com sua barraca montada, exercitando seu espirito empreendedor.Fiquei emocionado são fotos de grande significado que que falam por elas próprias, resumindo toda a teoria de empreendedorismo que tem seu berço na escolha de cada pessoa e no apoio familiar (Veja-se a avó ao fundo). Mais dois detalhes que não devem passar desapercebido: 1- O estabelecimento tem donas: vovó e a menina e 2- Há um aviso nas laterais do guarda sol: aberto, absolutamente genial, ou seja, estão esperando os clientes... Uso-as nas minhas primeiras aulas da disciplina de Empreendedorismo e faço a pergunta instigante para o eu profundo de cada um: quem já vendeu alguma coisa em barraquinha na frente de sua casa? segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
IV
Conferência Internacional de História Econômica & VI Encontro de Pós-Graduação
em História Econômica
USP/São Paulo, outubro de 2012.
USP/São Paulo, outubro de 2012.
TITULO: RECIFE MASCATE. A AVENTURA EMPREENDEDORA LUSA NA
PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
AUTOR: Prof. Dr. Luís Carvalheira de Mendonça, professor adjunto III, pesquisador associado do Grupo de Pesquisa Estudos Transdisciplinares em História Social do Departamento de História da Universidade Católica de Pernambuco. Email: lcm@unicap.br
INTRODUÇÃO: Artigo baseado no livro do autor de título idêntico, publicado pela Editora Garamond, Rio de Janeiro, 2011. É pesquisa interdisciplinar que se apóia em estudos migratórios, históricos, culturais e econômicos porque nesse interregno de tempo, a cidade do Recife atravessava a era da modernidade. Analisa a ação dos lusos como grupo étnico que atuou em rede de capital social. Para este artigo, os capítulos 3º, 4º e 5º do livro foram resumidos no primeiro tópico abaixo, o capitulo 2º, original do livro, relativo ao referencial conceitual, é recuperado sendo aqui tratado como segundo item, denominado de conceitos-chave. Já as colocações do capitulo 6º em diante do livro são a fonte da exposição dos demais. Assim, baseado nos capítulos 3º e 4º relativos à imigração de Portugal para o Brasil, pode-se afirmar que o Recife não foi alvo preferencial dos imigrantes europeus no período diferentemente do século XIX onde esta cidade foi uma das buscadas pelos lusos. Aliás, os demais imigrantes europeus ou asiáticos que demandaram o país no período também não se voltaram para aqui. A razão está evidenciada no livro. São duas: 1) expansão da cultura do café na região do Vale do Paraíba e 2) em segundo, a atração exercida pela capital da República, a cidade do Rio de Janeiro. Mas, em Pernambuco a influência lusa havia criado raízes e exercido grande influência assunto que será objeto do item a seguir.
1-NORDESTE PROFUNDO, NORDESTE LUSO: A influência na cultura dos negócios, desde a herança mascate, deixada pelos lusos sobre a o Nordeste e o Recife foi indelével, dai porque está dito que o Nordeste profundo é galego, é português. Se aqui foi a região do ciclo do açúcar, se aqui foi o lócus privilegiado onde a economia criou raízes e prosperou, foi aqui, no Norte Agrário, além da Bahia e do Rio de Janeiro, que a cultura portuguesa lançou suas primeiras e definitivas bases. Para reforçar a profundidade e extensão desses antecedentes e interdependência com o que se chama de Nordeste profundo, esta região, Pernambuco e o Recife se transformaram em depositários desta tradição portuguesa dos séculos anteriores, tradição esta que se irradia ainda hoje sobre diversos aspectos da sociedade e dos negócios. Na órbita das relações civis e comerciais, o núcleo duro da mentalidade dos negócios praticada em Pernambuco e no Recife herdou de Portugal muito de seus fundamentos. O português, mesmo dissolvendo-se na expressão de Freyre (1940), trouxe da Europa e aqui difundiu noções básicas - construtos - de receita e despesa; de escrituração mercantil elementar; de relação comerciante x freguês1melhor do que a recente expressão cliente de origem americana; da negação formal da venda fiado e da afirmação da venda pela caderneta, sem se deixar, por outro lado, de mencionar-se o jeito de fazer negócio lastreado na confiança das palavras das partes, ou, como se diz, baseado no fio de bigode. Não se pode deixar de referir ainda ao tripé casa, família e trabalho ou na ordem inversa, trabalho, casa e família, uma das mais complexas heranças portuguesa, porque tem intensa conexão com o mundo dos negócios, naquela altura e perdura até hoje. O item seguinte trata dos conceitos de empreendedorismo, empreendedor e empreendedorismo étnico e discute o enquadramento dos lusos dentro desses dessas dimensões no cenário de mudança do período.
2- CONCEITOS- CHAVE: A investigação histórica sobre empreendedorismo no Brasil em geral e no Recife em particular, não é uma tarefa fácil. Há uma omissão sobre o papel do empreendedor na cultura e na historiografia nacionais. A propósito, um dos mais prestigiados historiadores de Pernambuco, Pereira da Costa2 simplesmente omite na sua vasta bibliografia referência a empresários e/ou empreendedores. Para ele, a história parece ser feita apenas por meio da política, cultura e ação do estado. Mais ainda, se ação empreendedora for o comércio como é o caso predominante da investigação, o desprezo é grande. Trata-se, portanto, de uma omissão no que concerne ao papel do empreendedor na vida do país e da cidade. Há, pelo menos, três causas dessa omissão, porque como assinalou Marcovitch: “Os empreendedores brasileiros são mais desconhecidos do que os índios” (2003, p.15). Em primeiro lugar, os historiadores não dão destaque às firmas, salvo firmas ou empresas industriais, e mesmo quando as analisam, a tradição da historiografia os leva a hipervalorizar o Estado. De fato, não há referências significativas sobre a contribuição da empresas para a construção da Nação. Quando a empresa torna-se industrial, há alguma menção não apenas à empresa, mas até ao empreendedor. Quando ela é unicamente comercial, então parece existir um verdadeiro desprezo pelo papel do comerciante empreendedor e pelo seu negócio propriamente dito 3. É fácil identificar, em segundo lugar, na formação cultural da elite brasileira, o preconceito contra o labor comercial, como revela Azevedo (1958). Nesta tradição, esse tabu sempre existiu e ainda se manifesta na atualidade, por grande parcela da intelectualidade, haja vista a escassez de estudos voltados ao tema. Existe uma postura intelectual contra pessoas, empreendedoras ou não, que se dedicam a atividades ligadas, direta ou indiretamente à geração de capital através de empresas. Tais empreendimentos e seus atores seriam vistos apenas como agentes do capital, e não mereceriam ser analisados, salvo sob a perspectiva acro da dinâmica do capitalismo. Nos espaços dessas organizações não são percebidas produção cultural simbólica, inovação, relações humanas ou afetividade. A recusa ideológica deixa luz para enxergar o protagonismo dessas organizações e atores, suas histórias e contribuições. Em terceiro, a pesquisa defronta-se com uma decisiva presença do estado presença, aliás, derivada da tradição portuguesa. Ora, quanto mais governo, menos empreendedorismo, logo a cultura nacional não seria um ambiente propício ao empreendedorismo, como denuncia com propriedade Carbone ao afirmar existir na cultura brasileira tem uma habilidade ímpar de neutralizar empreendedores. (CARBONE, 1996). Não obstante esta tal tabu, a suposição básica do ensaio é que os comerciantes empreendedores jogaram um papel de relevância no período no Recife. Houve uma sinergia entre a ansiedade da elite para consumir e a resposta dos empreendedores comerciantes e neste contexto são realçadas inovações do imigrante português, muitas das quais requalificaram espaços e redefiniram comportamentos. Os conceitos-chave que guiaram a pesquisa são abordados a seguir. Os temas do empreendedorismo e empreendedor, não gozam de consenso, na literatura cientifica que versa sobre o assunto. Filion já disse que “há muita confusão sobre o termo empreendedor” (1999). Há diversas acepções a conceituá-los tratando-se de um termo que encerra uma fluidez polissêmica apreciável. Apesar de tudo, há convergências. Assim, a paternidade da expressão se deve a Jean Baptiste Say, economista francês que viveu no século XIX e a usou no texto intitulado Tratado de Economia Política. Dai porque a expressão entrepreneur é um galicismo na língua portuguesa. Há, ainda, outro consenso. Foi o economista austríaco Josef Schumpeter por meio do seu livro, intitulado Teoria do Desenvolvimento Econômico (1961) que analisou a evolução do capitalismo e introduziu a idéia de que tal sistema econômico atravessa crises cíclicas e que, nesses momentos há pessoas que enxergam oportunidades para inovar através do lançamento de novos produtos, novos mercados e novos processos de produção. A partir dessa obra, o conceito passou a ser difundido e aplicado nos ambientes acadêmicos, em especial na área da economia. Como enfatiza Leite (2000), o traço fundamental do capitalismo, seria segundo Schumpeter, a destruição criativa, que incessantemente revoluciona a estrutura econômica, destruindo a velha e criando a nova. Ora, o empreendedor seria o agente dessa mudança, porque a enxerga e introduz a inovação, destruindo a velha estrutura tudo conforme sua paradigmática expressão definidora do empreendedor: O empreendedor é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se os antigos métodos menos eficientes e mais caros. (1961, p.27, grifo nosso). Na trajetória das expressões, merece ser destacada ainda a abordagem psicológica de David McClelland (1961) que, a partir da sua teoria das necessidades de poder e de realização, (need of power and need of achievement), ampliou o escopo da matéria para o âmbito comportamental da psicologia das pessoas empreendedoras. Posteriormente, nos anos sessenta nos Estados Unidos, Peter Drucker (1986), agregou à dimensão comportamentalista, a idéia que o empreendedor não seria somente aquele homem introdutor de paradigmas, defendido por Schumpeter, mas pessoas que tivessem condições de desenvolver suas aptidões empreendedoras latentes. Para ele o empreendedorismo é um comportamento e como tal pode ser despertado. Ao lado da inovação, oportunidade e mudança, o empreendedor, ou melhor, dizendo, o espírito empreendedor não seria algo encontrado apenas na cabeça dos grandes visionários. As pessoas que enxergam oportunidades e que ousam satisfazer as necessidades vislumbradas nessas oportunidades, qualquer que seja o tamanho ou a natureza da organização, seriam pessoas dotadas do espírito empreendedor. (De fato, nos termos do já salientado nesta revisão, podem-se destacar três atributos que não devem deixar de existir na compreensão do que seria empreendedor: I) inovação; II) visão de oportunidade; e III) mudança. Além do mais, as mudanças impulsionadas pela ação empreendedora não se restringiriam ao campo da economia. Empreendedores da educação, da saúde, da política e de outros campos, encontram as mesmas dificuldades e soluções que os empreendedores da economia. Dentro dessa sua visão enlarguecida, a história de qualquer país está cheia de empreendedores, que enxergaram mudanças, perceberam oportunidade e ofereceram à sociedade novos processos, novos produtos e em especial novas soluções organizacionais e institucionais suprindo necessidades da sociedade tanto por empresas como por organizações e instituições em geral. Houve, então, na história do Recife, centenas e talvez milhares de pessoas que, nas suas respectivas áreas, inovaram, tornando-se impulsionadores das mudanças. Oportunidade, inovação, mudança vis a vis novas necessidades sociais e mercados, novos métodos, novos produtos e novas organizações ou instituições integram o universo empreendedor. A essas idéias os pesquisadores juntaram o conceito recente de empreendedorismo étnico, objeto da exposição a seguir. É expressão multidisciplinar que tenta explicar o comportamento das pessoas em estado de relação social de grupo. Diversos estudos abordam o assunto (FAZITO 2002; MARTES e RODRIGUEZ, 2004; MILANI, 2005; MARTINELLI, 2007; SACOMANO e TRUZZI, 2007) no caso de nacionais vivendo em outros países. Aliás, este é um tema desafiante que tem preocupado atualmente governos e nações. No Brasil, há pesquisas analisando o comportamento de imigrantes nacionais no estrangeiro e de nordestinos que vivem no Sul em situações de rede social. Machado (2008) explora a vivência de brasileiros migrantes na cidade do Porto, Portugal e oferece vasta bibliografia de casos brasileiros no exterior. Na essência, a idéia se constrói a partir da articulação de um estoque de capital social e de uma rede de relacionamento. Trata-se de um campo novo, que reúne teoria de rede do capital social, migração e iniciativas econômicas,micro e macro. Sua base fundamental é o capital social4, instalado em uma comunidade de um mesmo grupo. Tanto sob o ponto de vista sociológico como econômico, uma justificativa desses estudos decorre da constatação de que, nem as leis do mercado, nem tampouco as regras do estado planejador e concentrador, justificam plenamente a conduta das pessoas na hora da tomada de decisões econômicas. Instâncias lastreadas em normas, valores e crenças interferem na motivação dessas decisões. Esse é exatamente o tema dos estudos do capital social. O suposto básico é que um grupo étnico5 comprometido com sua cultura, uma vez no novo ambiente, opere uma rede de estabilidade e de confiança, para o imigrante recém chegado, cuja vida vem marcada pela incerteza, expectativa em relação a oportunidades de trabalho e a diferenças culturais do novo país. Uma variável relevante é que, além dos vínculos de conterraneidade, devem-se levar em conta as habilidades que o migrante disponibiliza para o grupo social que o acolhe. Nesta área das habilidades, há países, hoje em dia, por exemplo, que fomentam a imigração especializada, e logo se beneficiam das habilidades que o estrangeiro pode agregar. O Canadá é um exemplo nesse rumo. Na hipótese dos lusos no Brasil, Pescatello, mencionado por Sacomani Neto e Truzzi (2007) comenta que eles trouxeram a habilidade para contatos pessoais, daí a razão porque eles teriam se dedicado em sua maioria ao comércio. Leite (1994) igualmente salienta que os jovens imigrantes que se dirigiam ao Brasil, já detinham habilidades de poupança e de negociação adquiridas nas feiras das cidades de suas origens. Ilustrativo no contexto histórico é o fato de um dos entrevistados desta pesquisa ter declarado que foi convidado para vir para o Recife e casa de lanche porque detinha o conhecimento de pasteleiro,adquirido quando servira ao Exército, lá em Portugal. Nesse sentido, pode-se inferir que o imigrante luso agregou ao capital social da comunidade lusa recifense suas habilidades, fazendo, portanto a diferença. As motivações culturais, os conceitos de grupo de referência e o de rede de relações reforçam a idéia de que o empreendedor em grupo dispõe do capital social que o pode ajudar 6 Eles acessariam os dados para os processos de adaptação e ajustamento interno no grupo e, fundamentalmente, para inserção no novo ambiente, o ambiente estrangeiro. A expressão que dá a mais fiel representação do conceito é a de imersão traduzida de embeddedness, formulado por Granovetter, assim enunciada: As ações econômicas dos agentes estão inseridas em redes de relações sociais (embeddedness). As redes sociais são potencialmente criadoras de capital social, podendo contribuir na redução de comportamentos oportunistas e na promoção da confiança mútua entre os agentes econômicos. (GRANOVETTER apud MILANI, 2005, p.08). Nos capítulos seguintes análise do ambiente de modernidade do Recife e, posteriormente, exposto de que maneira o espírito empreendedor dos lusos e descendentes se moveu neste teatro de operações.
3- O BAILE DA MODERNIDADE NO RECIFE: A partir do que se convencionou denominar de modernidade7, aparece a expansão do capital internacional a introduzir novos métodos e processos de produção, consumo, trocas e acumulação econômica, repercutindo, por consequência, na organização da sociedade. O capital inglês traz consigo muitas das novidades e além delas a fábrica, nova realidade no processo de produção, distribuição e consumo de bens e, também, na vida da cidade. Na esteira desse processo, licenças são concedidas aos ingleses, através da The Great Western of Brazil Railway Company Limited e da Pernambuco Tramways & Power Company, para, por meio da primeira firma, explorar o trem, veículo que vai viabilizar as trocas intercidades, com a ligação de outras cidades com a cidade do Recife, mas, em especial, vai propiciar a logística da importação de equipamentos produzidos na Europa e a exportação do açúcar e do algodão aqui plantados; e, com a segunda empresa, oferecer à cidade o bonde e a energia elétrica. Ainda, o novo porto da cidade é inaugurado em 1922, e junto com ele o Bairro do Recife, tem sua reforma concluída. Com este evento, a cidade dá, ente, adeus às ruelas, becos e sobrados esguios, do Corpo Santo e do Cais da Lingüeta. Com efeito, a historiografia econômica sobre o Recife desse período, é abundante - Barbosa Viana, 1900; Melo 1958; Souza Barros, 1972; Singer, 1974; Eisenberg, 1977; Perruci, 1978; Levine, 1980; Lubambo, 1991; Vergulino, 1993 e Lima, Sicsu e Padilha, 2008 - e ressalta, unanimemente, o fato de a cidade ter sido, ao mesmo tempo, um entreposto comercial para abastecer toda a região Nordeste e uma região produtora de açúcar, algodão e de alimentos, este último em menor escala. Nos últimos dez anos do século XIX, ocorreram iniciativas destinadas a modernizar o parque industrial açucareiro, mobilizando recursos privados e públicos. De acordo com Vergulino (1993), houve uma espécie de boom econômico, em decorrência desses investimentos na agroindústria açucareira e, por conseguinte, atividades industriais inter-relacionadas, apareceram no Estado e na cidade do Recife. O dinamismo na Praça do Recife era expressivo o que vem corroborar a afirmativa de Souza Barros de que a cidade era um empório comercial, seja pelas trocas internacionais e nacionais que essas firmas realizavam, seja pela capilarização existente, na variedade e diversidade de casas comerciais para atender ao mercado do comprador local e regional. Por outro lado, Singer chama a atenção para o fato de o crescimento do Recife, no período e décadas seguintes, não se explicar apenas pelo desenvolvimento econômico da cidade, mas antes pela falta de desenvolvimento em toda a área sócio-econômica em que a cidade se localiza. Esta falta de desenvolvimento ocasiona um êxodo rural que acarreta no Recife um processo de crescimento desequilibrado que Gilberto Freyre apodou de “inchação” e que caracteriza a evolução da cidade em todo período mais recente. (1974, p.331). Em que pese essas ultimas dificuldades, a cidade experimentou expansão e renovação urbanas, ao lado de vigor e pulsação em várias áreas, particularmente nos espaços da cultura, educação e política, cujos atores e principais eventos serão objetos de análise nos itens seguintes. Se, até então, os espaços de convivência resumiam-se aos ambientes familiares e festas religiosas, com essas mudanças, a população passa a se deslocar pelos bondes que vão desempenhar papel fundamental na atmosfera da modernidade. Diz um cronista, sobre a época do bonde: Em seus bancos (e nos estribos em pé) se sentavam o trabalhador braçal, o comerciário, o estivador, o açougueiro, o médico, o bancário, o advogado, o chefe de escritório, o engenheiro, o deputado, o juiz, o desembargador, a dama da sociedade, a religiosa. (ALVES DA MOTA, 1982, p.28). As pessoas poderão vir de seus bairros e arrabaldes para o centro da cidade, e aqui poderão ser introduzidas nos templos de consumo moderno das ruas, quase que repaginadas para o que foi, aqui, denominado de O BAILE DA MODERNIDADE. Funções e distinções várias são atribuídas às ruas dos seus três bairros principais: Recife, Santo Antônio e São José. Pulsa ainda, uma vida cultural, liderada por artistas, intelectuais e jornalistas, que oferecem o último componente indispensável para que o Baile se torne real: O discurso da modernidade, o qual é produzido em aliança com as elites da época é explicado por Teixeira: Se, por conseguinte, a intelligentsia recifense - como de resto a brasileira – não coube forjar as bases referenciais em que se fundava o ideal de modernidade belle époque, coube, em contrapartida, divulgar esses ideais de modo a torná-los aceitáveis. (1995, p.8, grifo nosso). Mas, importa saber-se um pouco da geografia e dessas atividades na cidade. A funcionalidade dos bairros do centro do Recife, de acordo com Gilberto Freyre (1934) e Tadeu Rocha (1959), autores que publicaram nos anos 30 e 50, respectivamente, Guias sobre a cidade, seria a seguinte. Ao bairro do Recife, ilha originária que emprestou nome ao porto e à cidade, estava reservado os bancos, o alto comércio, os depósitos de açúcar e de algodão. Já as ruas do bairro de Santo Antônio estavam destinadas ao comércio das modistas, das perfumarias, das joalharias e das confeitarias. Era o varejo sofisticado. Aqui se situavam as Ruas Imperador, Nova e Duque de Caxias, além do Pátio do Livramento. De fato, neste bairro aconteciam as inovações da vida frenética, que os anos vinte e trinta trouxeram. Por último, as ruas do bairro de São José eram mais simples e despojadas, e nelas o comércio praticado era mais barato. O comércio desempenhou papel fundamental nos novos padrões de consumo, na territorialidade das ruas e, sobretudo, no comportamento da população. Esses registros pedem, porém, cuidadosa decodificação. De acordo com Oliveira: As ruas encantam com seus códigos, com suas histórias. As ruas têm fôlego, memórias para serem revisitadas através de profissionais interessados em compreender, no patrimônio histórico-cultural urbano, os signos que educam os sentidos de moradores e transeuntes. (2007, p.59). Na linha do seu argumento, as ruas exerceram várias funções simbólicas, dentre as quais a de indutora da reformulação de padrões culturais de comportamento, dado que os freqüentadores dos cafés, dos cinemas, bem como os apreciadores das vitrines e montras das lojas não desejavam preservar hábitos e atitudes do passado. Com base no novo paradigma almejavam atitudes novas de convivência social, inspiradas nas roupas das vitrines, nas posturas dos artistas dos filmes e nos sabores dos pratos da culinária européia oferecidos nos cafés e restaurantes. O Café Lafayette é um exemplo modelar do se quer dizer aqui. Para exemplificar sua importância, observe-se o seguinte: no acervo do Museu da Cidade do Recife, há seis registros fotográficos desse Café, também denominado de Esquina Lafayette; no acervo da Fundação Joaquim Nabuco, existem, também duas fotos e a foto estampada neste trabalho provém do livro Obra de Propaganda Geral de Pernambuco editado por José Coelho. Ora, não se documenta um prédio privado à toa! Ele representou muito para a cidade, obviamente. Este café, que durou de 1939 a 1969, mereceu encômios de diversos estudiosos, seu prestígio é o maior no modernismo da cidade. Do economista Souza Barros, ao poeta Joaquim Cardoso, os escritores Gilberto Freyre e Câmara Cascudo, passando pelos cronistas da época Flávio Guerra e Danilo Fragoso, cronistas recentes como Lima, Menezes e Paraíso, até aos acadêmicos Sylvia Couceiro e Carlos Romeiro - este último autor de dissertação de mestrado sobre o estabelecimento - todos realçam a clientela e o clima de mudança lá vivido. Fragoso assim o descreve. Nunca talvez em nenhuma outra cidade do mundo, um depósito de cigarro teve sobre a vida da população implicâncias que a do Lafayette, da firma Moreira & Cia teve sobre o Recife. Ponto não de todos, mas de muitos encontros, ponto histórico de referência. (FRAGOSO, 1971, p.58-59). O comerciante, porém, é o barrado no baile como se diz hoje, daí porque se endossa o ponto de vista da historiadora Amorim, quando estranha o fato de a atividade comercial ser pouco explorada no Brasil como tema de pesquisa, porque alega: “foi obedecendo às solicitações do processo de circulação de mercadorias europeu que se engendrou o espaço produtivo e a própria sociedade brasileira”. (187, p.3). Embora não seja um tema explorado nos textos acadêmicos e nos dos cronistas, discute-se, a seguir, a presença e a relevância dos comerciantes, no Baile da Modernidade no Recife. A bem da verdade, Teixeira (1994) traz à baila a Associação Comercial de Pernambuco, como aliada dos intelectuais, na viabilização da modernidade na cidade. Há, ainda, uma menção explícita do economista Souza Barros (1972), ao senhor proprietário do Café Lafayette. Por outro lado, no plano nacional, há trabalhos de historiadores que discutem o tema dos comerciantes, na formação e consolidação da dinâmica da sociedade brasileira. Fragoso (1998) com o livro clássico sobre Comerciantes de Grosso Trato no Rio de Janeiro, no século XIX, e Caldeira (1994), com o seu ensaio, não por acaso intitulado A Nação Mercantilista, servem de baliza para o que se quer tratar aqui. Ora, assumindo-se que o comércio das ruas chics do Recife -Nova, da Imperatriz, Imperador, Duque de Caxias, Pátio do Livramento- concorreu para a oferta das novidades e para a mudança de hábitos da população, porque ninguém alude aos proprietários dessas lojas? Quais suas estratégias para o consumo conspícuo da clientela modernista de então? Como e aonde eles se abasteciam? Analogamente, se, como informa Couceiro, nesse período assistiu-se ao esplendor dos cafés na cidade, algumas perguntas não foram respondidas pela história. Onde estão os donos dos cafés? Como os cafés funcionavam? Quais suas estratégias, para, na linguagem de hoje, seduzir os clientes? Quem eram seus proprietários? Seriam portugueses? O café existiu sem dono, sem empreendedor! O café teria havido em virtude, exclusivamente, dos clientes- intelectuais políticos e jornalistas - que o frequentavam? Com efeito, além do caso paradigmático do Café Lafayette, que reinou, soberanamente, durante mais de 30 anos, de 1930 a 1969, (Fragoso, 1970), preservando sempre o charme de sua atração, houve várias novidades que a elite usufruiu, com sofreguidão e avidez, oferecido graças à sensibilidade dos comerciantes empreendedores. Dado que tenha havido uma moldura de modernidade a engendrar um teatro de operações para os empreendedores, o que precisa ser feito é identificar e qualificar os eventos empreendedores destacando o papel dos lusos. No capítulo seguinte, a análise dessas questões.
4- AÇÃO EMPREENDEDORA LUSA: A evidência do comportamento étnico- gestão do capital social– dos lusos na área de panificação e, em menor escala, na esfera da construção civil, será tratada em primeiro lugar e o comportamento empreendedor, em variados ramos dos ofícios do comércio e da indústria, à revelia dos preconceitos dos brasileiros, será abordado em segundo. Convém salientar um aspecto sui generis da presença deles no Brasil. O pressuposto fundamental é que o imigrante luso no Brasil e no Recife vivenciou todas ou quase todas as dificuldades que os demais imigrantes encararam quando chegaram ao país. Às vezes, paradoxalmente, a identidade lingüística, de fato, criou uma igualdade ilusória e dificultou em certos aspectos uma mais eficaz absorção do ethos nacional brasileiro. Conclusão: o imigrante luso é tão imigrante no Brasil, como qualquer outra nacionalidade. Para localizar e evidenciar tal comportamento na cidade do Recife será discutida, em primeiro lugar, a postura étnica empreendedora do português, nada mais nada menos do que na esfera da panificação, locus privilegiado de sua atuação empresarial tanto aqui, como no Brasil inteiro.8 No ano de 2001, a AIPP- Associação dos Industriais da Panificação de Pernambuco- publicou livro, intitulado Caminhos do Cinqüentenário (SIQUEIRA, 2001). Na obra, são traçadas biografias empresariais de 49 (quarenta e nove) panificadores, com referências às origem, situação familiar, entrada no setor, estabelecimentos que possui e participação na Associação. Do total de 49 industriais, 19 (dezenove) foram de origem portuguesa, o que corrobora a tradição de presença decisiva deles. Aliás, a hegemonia desta nacionalidade na Associação, está evidenciada também quando estampa fotos de três transatlânticos nos quais os portugueses viajaram para o Brasil. Preliminarmente, deve-se levar em consideração que os empreendedores vieram para o Recife a convite de algum parente-irmão, que nunca deixou de trabalhar arduamente, e que, em todos os casos, eles contaram com apoio dos parentes e amigos referidos e assim o fizeram, utilizando-se da rede de contatos de patrícios, isto é,através deles conseguiam novas oportunidades. Mas, um fenômeno, singular e relevante sob o ângulo do empreendedorismo étnico, está também relatado na mesma fonte. Trata-se da gradativa substituição da hegemonia dos portugueses no setor, nada mais nada menos do que por migrantes oriundos do interior do Estado. Diz textualmente o livro: Deste município surgiu a maioria dos panificadores que fizeram a panificação da Região Metropolitana do Recife. Conhecidos no segmento como a Nação de Aliança´, possuem mais de 100 padarias (...) Dominam o setor neste início do século 21, que antes tinha à frente os portugueses.(SIQUEIRA, 2001, p. 219, grifo nosso). São ilustrativos dos comportamentos desses migrantes internos à semelhança dos portugueses, os seguintes: utilizam-se dos laços de família e parentesco para mobilizar empreendedores. As famílias Coelho, Costa Lima, Tavares Pessoa, Tavares Costa e Galdino Pessoa respondem juntas pela centena de padarias acima referidas; os laços de família implicam em apoio no processo de ajustamento na cidade sob todos os pontos de vista, desde o financeiro até a localização de ponto; há ainda uma espécie de líder, visto como modelo o senhor Otávio Coelho, que comanda e é sempre ouvido por todos, a lembrar o líder Diniz Bravo dos lusitanos. Outra atividade empreendedora, adequado ao padrão de ação de capital social, foram o setor imobiliário e os armazéns de ferragens, madeiras e de construção. É carregada de significado, porque tem tudo a ver com a cultura do imigrante português, tanto no Brasil em geral como muito aparente, na cidade do Recife. Tais armazéns foram segmentos empresariados pelos lusos, dedicados à demanda da expansão urbana resultado da inchação demográfica decorrente da migração interna dos nordestinos para a grande cidade e, também, para satisfazer às necessidades do setor público nas áreas de remodelação urbana, através da criação de praças e de ruas. Mas, a singularidade da postura dos lusos é que a poupança deles tendia a ser aplicada em i - terrenos, casas ou edifícios, em outras palavras em bem de raiz, tangível, construídos por eles mesmos. Na verdade, havia uma espécie de Cluster (Arranjo Produtivo Local)9, comandado e integrada pelos portugueses no Recife, que gravitava em torno do que se poderia chamar da nascente indústria da construção civil. O arranjo operava e ainda funciona, em menor proporção, em cadeia da seguinte forma: em primeiro lugar, após a poupança, os portugueses compravam terrenos e apostavam na valorização deles; em seguida, outro grupo incorporava a construção; a seguir, um terceiro fornecia material de construção desde cimento, ferragens até madeira; por fim, o ciclo se encerrava ou girava novamente, com um quarto grupo, o qual preferia comprar o imóvel e destiná-lo a aluguel. Interessantemente, como forte indício de ação de base da chamada economia étnica, o grupo oferecia seus produtos aos próprios membros da comunidade e a demanda se auto-sustentava por eles mesmos que partilhavam os mesmos valores de gestão econômica da poupança e da aplicação. Havia a criação de um mercado onde ocorria oferta e demanda de produtos dentro da própria comunidade, nos termos do que acentuam e Sacomani Neto e Truzzi (2007), no referencial conceitual já mencionado. Para encerrar, uma análise desses sinais simbólicos de mobilização do capital social das três experiências - duas da comunidade da panificação e uma, da construção civil - que constituem sinais consistentes de empreendedorismo étnico, destaque-se que nas três experiências, a base fundamental, de natureza horizontal, são os valores de confiança, lealdade e compromisso. Com base nesses valores, o imigrante disporá de informações empresariais que isoladamente não encontraria.Uma espécie de banco de dados lhe possibilitará saber: pontos de localização; natureza e perfil dos clientes; fornecedores; padrão e formas de recrutamento da mão de obra necessária; tecnologia de produção, fontes de financiamento; aval e garantia junto a fornecedores, e a oferta de parceria em sociedade e o modus operandi de empresariar no setor específico, como ficou claro no caso da panificação. Já para construção, o lastro de confiança sido a confiança na expectativa da obra concluída pelos patrícios. Por último, merece ser ressaltada a economia informal altamente vascularizada entre eles, no período. De intensidade variada diversas práticas informais de ajuda e integração eram adotadas pelo grupo. Uma espécie de economia informal de grass-roots, de formiguinha, era exercida no seio da colônia. Seja em razão do relativo desaparelhamento do fisco no período, seja em virtude do empreendedorismo na luta contra o estado, o fato é que havia circulação de riqueza, não declarada, manifestada em diferentes caminhos de ajuda e integração do grupo. Algumas práticas dão conta da extensão, penetração e vitalidade desse processo. Seriam elas:- oferecer sociedade; convidar para ser sócio; montar sociedade com parente e mobilizar o novato recém-chegado; - emprestar dinheiro, com garantia apenas de Nota Promissória entre as partes, sem registro em cartório e, à margem do sistema formal da economia; - diversificar investimentos em açougues, terrenos, casas e novos estabelecimentos com diferentes sócios; -fazer “indicação” para alguém levantar empréstimo de outrem, na prática funcionando como um avalista ou fiador informal;- mobilizar e constituir sociedade com colegas, parentes e amigos da aldeia, paróquia ou Concelho de onde vieram. Graças a esse associativismo horizontal, baseado nos laços de parentesco e de vizinhança de origem - tanto dos lusos quanto dos migrantes internos do município de Aliança, ao lado daquele outro, o verticalizado por meio da Associação de Panificadores, o segmento de panificação tem logrado êxito em muito de suas iniciativas. Em certa medida, o caso da construção civil funciona, também,dentro da mesma lógica. Em outras palavras, ele não está só na empreitada na linha da assertiva de que o migrante não se faz sozinho, uma película invisível o protege, consoante afirmam Fazito (2002), Milani (2005) e Sacomani e Truzzi (2007). O estudo volta-se, agora,para uma análise do comportamento empreendedor desses imigrantes. Para abrir essa análise,é importante considerar que durante o período trabalhado, o português, como de resto os demais imigrantes, chegavam ao Brasil e encontrava uma sociedade organizada e alicerçada em base rural, com propensão dos nativos a inclinarem-se mais às letras do que às profissões úteis, no dizer de Azevedo: “O comércio, os negócios, as empresas comerciais e industriais,(...) não pareciam interessar senão aos estrangeiros”. (1958, p.64). Dada essa estruturação,os pesquisadores como Fernando Azevedo têm acentuado que a elite de então, em especial das três primeiras décadas, tinha os interesses voltados fundamentalmente para a área rural.Neste ambiente, os portugueses ao se estabelecerem como comerciantes inseriram-se sem dificuldade na estrutura econômica e social brasileira ao exercerem papéis que não eram considerados dignos da elite. A elite desempenhava funções ligadas à economia agrícola, à gestão do Estado ou da Igreja, dentro da tradição colonial brasileira e o comércio, alvo de desprezo abria o espaço para o português, que, como empreendedor, soube se aproveitar da oportunidade e preencher o vazio. Nesse mesmo sentido, Freitas Filho, ao discorrer sobre a presença mercantil dos lusos no Rio de Janeiro, comenta: Havia uma espécie de divisão do espaço econômico no meio empresarial carioca, pois a elite local preferencialmente se dedicava às atividades agropecuárias, as profissões liberais e aos altos postos da política e da administração publica, enquanto que o imigrante português concentrava-se nas atividades comerciais e fabris. (2002, p.79). Ora, se esta assertiva cabe para o Rio de Janeiro, ela assenta-se também à elite do Recife, na época de natureza açucareira, que ostentava tanto ou mais preconceitos do que aquela do Rio de Janeiro. A elite local nutria, da mesma forma, desprezo pela atividade comercial, em que pese parte dos seus membros estarem presa aos comissários de açúcar, grandes comerciantes que financiavam suas safras. Uma vez aceito o pressuposto de que o empreendedor enxerga oportunidades de negócio e cria novos mercados, produtos e serviços conforme define Schumpeter, discutido no capítulo do referencial conceitual, o ponto defendido aqui é que muitas das firmas dos portugueses criadas no Recife, o foram como resultado desse comportamento empreendedor, superando ou convivendo com o preconceito acima.A postura empreendedora se irradiaria em segmentos como padarias e vendas ou mercearias à semelhança de outras cidades do país. O luso enxergava a oportunidade de novo mercado e logo chegava lá e supria a necessidade de pão e demais gêneros. Nessa área de abastecimento, os portugueses se notabilizaram ainda como proprietários de estabelecimentos de estivas e de secos e molhados. Mas, eles prosperaram e foram empreendedores fortes em outras áreas de maior calibre. Merecem destaque, nesse sentido, as firmas lusas que foram tão capitalizadas que disponibilizavam na praça recursos para financiamento de outras atividades. O caso da firma Mendes Lima & Cia, classificada por Souza Barros (1972) como uma das lideranças empresariais do Estado é emblemático. Esta firma e outras, conhecidas como Comissárias de Açúcar, financiavam a safra de usinas de açúcar e não raro tomavam a propriedade do grupo de usineiros nos casos de inadimplência. Mas, não apenas nas padarias e no setor de grandes financistas os imigrantes portugueses enxergaram oportunidade como é o caso das firmas de exportação e importação. A participação dos lusos nas trocas nacionais e internacionais deu-se através das aparentemente singelas denominações de suas firmas em Fulano de tal Exportação e Importação Ltda. Uma boa evidência da densidade dessa presença pode ser extraída do texto produzido por autores ingleses, com assessoria de autores brasileiros, em 1913. De acordo com essa publicação a cidade dispunha de 37 firmas voltadas à exportação e importação e delas 8 eram formadas por sócios portugueses exclusivamente ou em associação com brasileiros. A cobertura de extensão dos negócios dessas firmas é muito relevante, dado que elas operavam trocas com portos internacionais como o de New York,Havre, Liverpool, Londres, Hamburgo dentre outros, bem como com portos da costa brasileira do Rio Grande do Sul ao Pará, sem esquecer Rio de Janeiro e Santos. Nas trocas,importavam-se máquinas e acessórios para a agricultura e indústria; cimento e outros materiais para construção e ferragens grossas; carvão; miudezas, perfumarias, modas, armarinho, fazendas e confecções; charque, farinha de trigo e bacalhau. Exportavam-se açúcar, algodão, couros e peles, cacau e café. Sobre esses dados, duas reflexões. Em primeiro,constatar o dinamismo da praça devido à extensão da malha de trocas comerciais com o mundo. Em segundo, a presença das firmas lusitanas colocadas, lado a lado, no ranking das demais firmas, sejam as brasileiras, sejam aquelas inglesas, alemãs ou francesas, essas últimas com sólida retaguarda das economias em expansão de seus países. Defende-se o ponto, de que o comportamento empreendedor respondeu, em grande medida, por essa competividade das firmas lusas por várias razões, destacando que eles conheciam o mercado nacional muito bem e dispunham de razoável acúmulo de recursos financeiros na praça. Nos ramos de lojas de fazendas, a grosso e a varejo, para, por um lado, vender a produção têxtil dos cotonifícios que se fundavam e, por outro, atender à procura da população por roupas e moda, o empreendedor luso, também, viu novos mercados e se lançou à atividade e perduraram quase hegemônicos no setor até os anos 60. Outro caso singular de inovação foi da grande Casa Viana Leal. Nesse estabelecimento, os empreendedores criaram uma espécie de loja de departamentos chamada Viana Leal. Lá se vendia de tudo, de brinquedo até material de casa. Era uma grande loja com três andares e concorria, em condições de igualdade, com a Mesbla, cadeia nacional de departamento. A localização no bairro de Santo Antônio era privilegiada. A novidade era a escada rolante ligando seus três andares. A inovação exercia fascínio sobre a população e em especial sobre as crianças. Foi um tiro certeiro de marketing, baseado no faro do empreendedor. Após a novidade, tornou-se a loja que mais vendia brinquedo da marca nacional Estrela, no Brasil da década de 60.
5-CONSIDERAÇÕES FINAIS: Os achados iluminam tópicos como o do empreendedorismo étnico e do comportamento empreendedor. Nesse sentido, os objetivos do trabalho foram alcançados e podem permitir aos interessados: - uma melhor compreensão das transformações da economia pernambucana; II - o estabelecimento de inter-relações entre imigração e empreendedorismo; III - o estabelecimento de inter-relações entre história e gestão empresarial; e IV - o estabelecimento de inter-relações entre cultura de negócios e economia nos seus vários setores. A pesquisa permitiu, ainda, chegar a algumas conclusões no âmbito de administração e gestão a inferência de que as três cadeias produtivas10 de atuação dos lusos (1ª-terreno, ferragem e construção; 2ª- indústr a da panificação e 3ª-alimentos em geral) operavam amparadas em uma extensa e complexa rede de capital social. Havia, como que, uma plataforma invisível que articulava todos os agentes de cada cadeia, em logísticas específicas, integradas e articuladas, baseadas fundamentalmente nos laços de confiança.Figure-se o caso de alimentos. As importadoras lusas compravam bacalhau e carne seca; os
revendiam às firmas de secos e molhados de lusos; essas, por sua vez, encaminhavam os produtos para as padarias e vendas- terminais de capilarização do sistema- preferencialmente de propriedade dos patrícios e, logo, o circuito da atuação em rede se completava e se retroalimentava. Com certeza, a partir da elucidação dessa postura empreendedora étnica, o desafio que atravessou a pesquisa de compreender o fato de tão poucos terem sido tão influentes, se vê superado definitivamente.11 Com efeito, essa o empreendedorismo luso,nesses 50 anos, pode ser encarada como um painel relevante de lições para compreensão da evolução da história empresarial do Recife, de Pernambuco e do Nordeste.
3 Em sentido contrário, o ensaio de Caldeira, A Nação Mercantilista, advoga que o comércio foi, durante o século XIX, a coluna vertebral do Brasil, mesmo contra a visão de irrelevância da atividade proclamada por CAIO PRADO JUNIOR e RAYMUNDO FAORO, autores de renome, seja o primeiro de confissão marxista, seja de matriz weberiana, o segundo.
4 Sobre o conceito de capital social consultar quadro de referência apresentado por MILANI (2005, p.18), no qual constam diversas correntes e a indicação de pioneirismo de emprego da expressão atribuída ao sociólogo francês Pierre Bourdieu.
6 Os autores distinguem este capital do capital humano, aquele detido pela própria pessoa no plano de suas competências e habilidades e aquele outro, o capital financeiro, realizável em operações patrimoniais e econômicas. Diz PORTES: “enquanto o capital econômico se encontra nas contas bancárias e o capital humano dentro das cabeças das pessoas, o capital social reside na estrutura das suas relações. Para possuir capital social, um indivíduo precisa de se relacionar com outros, e são estes — não o próprio — a verdadeira fonte dos seus benefícios”. (2000, p.138).
8 Como fonte básica das reflexões serão utilizadas informações da Associação das Industriais de Panificação dePernambuco (AIPP). Essa associação foi fundada, no ano de 1951, e seus objetivos são os de congregar os associados e defender os interesses dos panificadores Por outro lado, a aparentemente despretensiosa Associação, no caso da panificação, serviu para robustecer o capital social dos empresários do setor, e dessa maneira garantiu-lhes meios organizados de pressão sobre os órgãos públicos, na área de vigilância sanitária e da política tributária, mas na esfera privada de estratégia concorrencial, tem-lhes permitido, também, criar barreiras à entrada para novos concorrentes.
9 A expressão cluster foi formulada por Michael Porter que assim o enunciou: “Os clusters (grupos, agrupamentos ou aglomerados) são concentrações geográficas de empresas de determinado setor de atividade e companhias correlatas de fornecedoresde insumos a instituições de ensino e clientes”. (PORTER, 1996).
1 Em certo sentido a expressão freguês é mais interrelacionada com as raízes ibéricas na medida em
que se relaciona com freguesia, unidade territorial na que se dividia a Igreja Católica, na idade média.
2 FRANCISCO AUGUSTO PEREIRA DA COSTA é considerado o mais importante historiador pernambucano. Nasceu e criou-se no Recife. Viveu de 1851 a 1923. Era bacharel em direito e escreveu além dos Anais Pernambucanos em 10 volumes, os livros Folclore Pernambucano e o Dicionário Biográfico de Pernambucanos Célebres. Disponível em http://www.fundaj.gov.br. Acesso em 30.03.2009.
3 Em sentido contrário, o ensaio de Caldeira, A Nação Mercantilista, advoga que o comércio foi, durante o século XIX, a coluna vertebral do Brasil, mesmo contra a visão de irrelevância da atividade proclamada por CAIO PRADO JUNIOR e RAYMUNDO FAORO, autores de renome, seja o primeiro de confissão marxista, seja de matriz weberiana, o segundo.
5 No Brasil, a cidade de São Paulo, como um mosaico cultural que abriga várias etnias - portuguesa, italiana, japonesa, judaica, chinesa, coreana e árabe entre outras - pode ser encarada como um imenso laboratório do que se chama economia étnica.
6 Os autores distinguem este capital do capital humano, aquele detido pela própria pessoa no plano de suas competências e habilidades e aquele outro, o capital financeiro, realizável em operações patrimoniais e econômicas. Diz PORTES: “enquanto o capital econômico se encontra nas contas bancárias e o capital humano dentro das cabeças das pessoas, o capital social reside na estrutura das suas relações. Para possuir capital social, um indivíduo precisa de se relacionar com outros, e são estes — não o próprio — a verdadeira fonte dos seus benefícios”. (2000, p.138).
7 O paradigma da modernidade teria a seguinte caracterização segundo REZENDE: “A vertigem da velocidade, a dessacralização constante de territórios antes proibidos, a exaltação do desejo e sua infinitude (...) quantidade e qualidade se misturam, no reino da produção material e, apesar de tudo, a insatisfação e o tédio sobrevivem, não saem de cena dos teatros e “boulevards” barulhentos da sociedade de consumo”. (1997, p.10).
8 Como fonte básica das reflexões serão utilizadas informações da Associação das Industriais de Panificação dePernambuco (AIPP). Essa associação foi fundada, no ano de 1951, e seus objetivos são os de congregar os associados e defender os interesses dos panificadores Por outro lado, a aparentemente despretensiosa Associação, no caso da panificação, serviu para robustecer o capital social dos empresários do setor, e dessa maneira garantiu-lhes meios organizados de pressão sobre os órgãos públicos, na área de vigilância sanitária e da política tributária, mas na esfera privada de estratégia concorrencial, tem-lhes permitido, também, criar barreiras à entrada para novos concorrentes.
9 A expressão cluster foi formulada por Michael Porter que assim o enunciou: “Os clusters (grupos, agrupamentos ou aglomerados) são concentrações geográficas de empresas de determinado setor de atividade e companhias correlatas de fornecedoresde insumos a instituições de ensino e clientes”. (PORTER, 1996).
10 Entende-se por cadeia produtiva “todas as atividades articuladas desde a pré-produção até o consumo final de um bem ou serviço. (...) Os estudos das Cadeias Produtivas proporcionam um entendimento mais completo do comportamento dos seus componentes econômicos e das tendências dos mercados, descrevendo os segmentos mais importantes e com maiores possibilidades de competitividade”. Pode ser aplicado em várias áreas tipo as do leite, do milho, do turismo entre outras. Disponível em http://www.genesis.puc.rio.br. Acesso à internet em 20.04.09.
11 Outros fatores, também, concorreram para explicar tal êxito dos lusos, tais como a tradição cultural dos gostos culinários passados pelos lusos, a fragilidade da atuação do estado como agente regulatório e fiscalizador, ao lado do desinteresse da elite local por atividades mercantis, assunto já abordado.
FONTES E BIBLIOGRAFIA
ÁLBUM DA COLÔNIA PORTUGUESA NO BRASIL. CARINHAS, Teófilo (Org.). Rio
de Janeiro: Editoras Oficinas Gráficas de Carinhas & Cia. Ltda, 1929.
ÁLBUM DE PERNAMBUCO. Impresso nas Oficinas Tipográficas do Anuário Comercial.
Praça dos Restauradores, 24 Lisboa. 1913. Copia digitalizada em pdf pertencente ao acervo
da Fundaj. Disponível: http.www.fundaj.gov.br. Acesso em 22.05.08.
ALVES, Jorge Fernandes. Variações sobre o “brasileiro”. Tensões na emigração e no
retorno do Brasil. Revista Portuguesa de História. Tomo XXXIII, (1999) Univ. Coimbra.
. Terra de esperanças. O Brasil na emigração portuguesa. Portugal e Brasil. –Encontros, desencontros, reencontros. Cascais: Câmara Municipal, VII Cursos Internacionais, 2001, pp.113.128.
ALVES MOTA. No tempo dos bondes elétricos. Recife: Celpe, 1982.
AMORIM, Laura Helena Baracuhy. O comércio paraibano no processo de formação do comércio nacional 1930-1939. Dissertação de Mestrado, Departamento de História. Recife,UFPE. CFCH, 1987.
ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa. As praias e os dias: história social das praias do Recife e de Olinda. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2007.
AZEVEDO, Fernando. A cultura brasileira. Tomo II. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1958.
BARBOSA VIANA. O Recife, capital do estado de Pernambuco. Recife: Typographia Universal, 1900.
BUARQUE DE HOLANDA, Sergio. Raízes do Brasil. 5ª edição, Rio de Janeiro: José Olympio, 1969.
CALDEIRA, J. Mauá. Empresário do Império. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
. A Nação mercantilista. Ensaio sobre o Brasil. Editora 34, 2005.
CAMPOS, Helenize. Comércio na área central do Recife (PE - Brasil): novos e antigos conceitos acerca da história da cidade. Scripta Nova, Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, Universidad de Barcelona, vol. VI nº. 119 (57), 2002.
CARBONE, Paulo. Os Heróis do setor público: A teia cultural engolindo o empreendedor.Revista de Administração Pública, v.30 (3) maio/junho de 1996, pp. 127.139.
CARDOSO, F.H. Empresário industrial e desenvolvimento econômico. São Paulo:Difusão Européia do Livro, 1964.
CASTRO. Josué. A cidade do Recife, ensaio de geografia urbana. Rio: Edit. Casa Estudante do Brasil, 1954.
CEPLAN. VAREJO MODERNO. Empresas & Empresários. Relatório setorial 10, Recife, Nov. 2007.
CORREIA, Maximiano. Relatório de viagem ao Brasil da embaixada universitária de Coimbra. Impressões, Comentários e Discursos. Coimbra: 1954.
COUCEIRO, Sylvia C. A Sedução da noite nos Cafés do Recife dos anos 1920: Entre Prazeres e Transgressões. Associação Nacional de História – ANPUH XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 2007.
CURY, Vânia M. Presença portuguesa: bases para a expansão das profissões liberais no Brasil. In: LESSA, Carlos (Org.). Os lusíadas na aventura do Rio Moderno. Rio de Janeiro: Editora Record /FAPERJ, 2002.
DIAS, Antônio. Notas sobre o elemento português no Recife. 1890-1940. Recife: Typografhia The Propagandist, 1940.
DINIS, Anabela e USSMAM, Ana Maria. Empresarialidade e empresário. Revisão da literatura. Revista Comportamento Organizacional e Gestão, vol.12, nº.1,
DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Pioneira, 1986.
EISENBERG, Peter. Modernização sem mudança: A indústria açucareira em Pernambuco. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
ESTADO DE PERNAMBUCO. OBRA DE PROPAGANDA GERAL. Editor: Coelho, José. Rio Janeiro, 1919.
FAUSTO, Boris. Fazer a América: a imigração em massa para a América Latina. São Paulo: Edusp/Funag/Memorial, 2000.
FAZITO, Dimitri. A análise de redes sociais (ARS) e a migração: mito e realidade. XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, Ouro Preto, Minas Gerais,novembro de 2002.
FILLION, Jacques. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários gerentes de pequenos negócios. São Paulo: Revista de Administração, vol. 34, nº.2, abril/junho 1999.
FRAGOSO, Danilo. Velhas Ruas do Recife. Recife: Imprensa Universitária, 1971.
FRAGOSO João L. Homens de grossa aventura. Acumulação e hierarquia na praça mercantil do Rio de Janeiro. 1790.1830. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira,1998.
FREITAS, Sônia Maria de. Presença portuguesa em São Paulo – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: Memorial do Imigrante, 2006.
FREITAS FILHO, Almir Pita. A Colônia portuguesa na composição empresarial da cidade do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do XX, In LESSA, Carlos. Os Lusíadas na Aventura do Rio de Moderno. Rio de Janeiro: Record, 2002.
. História Econômica e História de Empresa: Algumas Reflexões Metodológicas.Ensaios FEE, nº 1 ano 10, Porto Alegre: FEE, 1989.
FREYRE, Gilberto. Guia prático, histórico e sentimental da cidade do Recife. Recife:1934.
. Uma Cultura ameaçada: A luso-brasileira. Recife: Gabinete Português de Leitura, 3ª edição, 1980.
. Casa grande e senzala. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.
GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos- Dicionário corográfico, histórico e estatístico de Pernambuco. Inclui MAPA DA CIDADE DO RECIFE do ano de 1920. Recife: CEPE,2006.
GRAHAM, Richard. Grã-Bretanha e o início da modernização no Brasil (1860-1914).São Paulo: Brasiliense. 1973.
GRANOVETTER, Mark. The Strength of the weak ties. American Journal of Sociology,Vol.1. (May 1973).
_____. Ação econômica e estrutura social: o problema da imersão. Revista Eletrônica de Administração, vol. 6 nº.1, Art. 9, jan./jun. 2007.
GUERRA, Flávio. Crônicas do Velho Recife. Recife: Dialgraf, 1972.
IMPRESSÕES DO BRASIL NO SÉCULO XX: SUA HISTÓRIA, SEU POVO,COMÉRCIO, INDÚSTRIA E RECURSOS. FELDWICK W. DELANEY, L.T. WRIGHT,Arnold. LLOYD, Reginald (Orgs.). EULALIO Joaquim (trad). Londres: Lloyds Greater Britain Publishing Company, Ltd., 1913.
JUCEPE. Junta Comercial do Estado de Pernambuco. Origem e evolução histórica da JUCEPE, sem data.
LEITE, Emanuel. O fenômeno do empreendedorismo. Recife: Bagaço, 2000.
LEITE, Joaquim da Costa. Portugal and Emigration. 1855.1914. Tese de Doutoramento aprovada pela Universidade de Columbia USA, 1994, Versão não publicada.
. O Brasil e a emigração portuguesa (1855.1914) In: FAUSTO, Boris (org.). Fazer a América. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999.
. A Emigração como vínculo transatlântico: Portugal e Brasil. 1850.2002.Seminários de História Econômica. ICS/ISEG/FCSH. Lisboa, 2003.
LESSA, Carlos (coord). Os Lusíadas na aventura do Rio de Janeiro Moderno. Rio de Janeiro: Record, 2002.
LEVINE, Robert. A Velha usina. Pernambuco na federação brasileira 1889-1937. Rio:Paz e Terra, 1980. Tradução de Raul Jose de Sá Barbosa. (Coleção Estudos Brasileiros.v.45).
LIMA, José E. Lafayette: esquina de muitas vidas. Recife: Edição do autor, 2ª edição,sem data.
LIMA, J. P. R., SICSÚ, A. B. e PADILHA, M.F.G. Economia de Pernambuco:Transformações recentes e perspectivas no contexto regional globalizado. Revista Econômica do Nordeste, vol. 4, 2007.
LIVRO DO NORDESTE. Gilberto Freyre... [et al.].3 ed. Fac.similada. Recife: CEPE,2005.
LOBO, M. Eulália. História empresarial. In: CARDOSO, Ciro Flamarion, VAINFAS,Ronaldo. Domínios da história: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus,
1997.
. Imigração portuguesa no Brasil. São Paulo: Hucitec, 2001.
LUBAMBO, Catia W. O bairro do Recife: entre o Corpo Santo e Marco Zero. Recife:CEPE e Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1991.
MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros & empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Vols. 1 e 2. São Paulo: Edusp, 2003.
MARTINELLI, Alberto. Uma Perspectiva Italiana do empreendedorismo: entrevista com Alberto Martinellli. Revista Eletrônica de Administração vol. 06, nº. 2 jul. dez 2007.
MARTES, Ana C. e RODRIGUEZ, Carlos L. Afiliação religiosa e empreendedorismo étnico: o caso dos brasileiros nos Estados Unidos. Revista de Administração Contemporânea, vol. 8, nº 3 jul./set 2004, pp.117.141.
McCLELLAND, D. C. The achieving society. Van Nostrand: Princeton, 1961.
MELO, Hildete P. de e Marques, Cristina de N. Imigrantes portugueses no Brasil a partir dos recenseamentos populacionais do século XX: um estudo exploratório. Texto para discussão. UFF, Economia, 2007.
MELLO, Evaldo Cabral de. A fronda dos mazombas: nobres contra mascates em Pernambuco. (1666–1715), São Paulo: Companhia da Letras, 1995.
. O Norte agrário e o Império, Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.
MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diário de Pernambuco: economia e sociedade no 2º Reinado. Recife: Editora Universitária, UFPE, 1966.
_____. Um mascate e o Recife. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 1981.
MENDES, José Amado. Problemas de História Empresarial: Teoria e Prática. XXII APHES. Comunicações. Aveiro, 2002.
LESSA, Carlos. Os Lusíadas na Aventura do Rio de Moderno. Rio de Janeiro: Edit. Record, 2002.
MENEZES, Fernando. Coisas do Recife. Recife: Edições Bagaço, 2001.
MILANI, Carlos. Teorias do capital social e desenvolvimento local: lições a partir da experiência de pintadas (Bahia, Brasil). Projeto de pesquisa « Capital social, participação política e desenvolvimento local: atores da sociedade civil e políticas de desenvolvimento local na Bahia » (2002.2005), financiado pela FAPESB e desenvolvido na Escola de Administração da UFBA (NPGA/NEPOL/PDGS) 2005.
OLIVEIRA, Iranilson Buriti de. Temp(l)os de consumo: memórias, territorialidades e cultura histórica nas ruas recifenses dos anos 20 (Século XX), SECULUM – Revista de História. (16), João Pessoa, jan./jun. 2007.
PARAÍSO, Rostand. A esquina do Lafayette e outros tempos do Recife. Recife: 2001.
PERRUCI, Gadiel. A República das usinas: Um estudo histórico, social e econômico do Nordeste, 1889.1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
PINHO, Carlos Eduardo Romeiro. Esquina Lafayette. Boemia, amores e lamentações na história recifense. Dissertação de Mestrado, Departamento de História. Recife, CFCH.UFPE, 2000.
PORTES, Alejandro. Capital Social: Origens e Aplicações na Sociologia Contemporânea. Revista Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 33, 2000, pp. 133.158.
PORTER, Michael. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústria e concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1996.
REZENDE, Antonio Paulo. O Recife: histórias de uma Cidade. 2ª edição. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2005.
. (Des) Encantos modernos. Histórias da cidade do Recife na Década de Vinte. Recife: FUNDARPE, 1997.
ROCHA, Tadeu. Roteiros do Recife. Recife: Mousinho, 1959.
SACOMANI Neto, Mario e TRUZZI, Oswaldo. Economia e Empreendedorismo Étnico: Balanço Histórico da Experiência Paulista. Revista de Administração de Empresas, n°37, abr./jun. 2007.
SCHUMPETER, J.A. Teoria do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1961.
SEBRAE. Criando seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor.Edição SEBRAE. Coordenadores: Heitor José Pereira e Silvio Aparecido dos Santos.Brasília. 1995.
SETTE, Mário. Arruar. Histórias pitorescas do Recife antigo. Recife: Fundarpe, 1978.
SINGER, Paul Israel. Desenvolvimento econômico e evolução urbana: análise da evolução econômica de São Paulo, Blumenau, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife. São Paulo: Editora Nacional, 1974.
SIQUEIRA, Mônica. Caminhos do cinquentenário. Recife: Associação dos Industriais de Panificação de Pernambuco, 2001.
SOUZA BARROS. A Década de 20 em Pernambuco. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Acadêmica Ltda., Rio de Janeiro, 1972.
TEIXEIRA, Flávio Weinstein. As Cidades enquanto palco da modernidade. O Recife de princípio do Século. Recife, Dissertação de Mestrado em História. UFPE. CFCH. 1994.
. Intelectual e modernidade no Recife dos Anos 20. João Pessoa: Revista Saeculum. I(1): 89.98, jul./dez, 1995.
VERGOLINO, José Raimundo de O. A Economia de Pernambuco no Período 1850.1900: Uma Interpretação. Recife: Revista do Mestrado de História Série Histórica do Nordeste vol. 1, nº 14, mpp. 99.117, 1993.
. A Metamorfose da Indústria Açucareira em Pernambuco: Os Primórdios da Formação do Arranjo Produtivo Local (APL). Revista do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico de Pernambuco, Número 61, ano 2005.
ZAIDAN, Noêmia Maria. O Recife nos trilhos dos bondes de burro. 1871-1914. Dissertação de Mestrado, Departamento de História. Recife, CFCH. UFPE, 1991.
ANEXO I
MAPAS E FOTOS AÉREAS DA PRESENÇA PORTUGUESA NO PERÍODO
Fonte: PLANTA DA CIDADE DO RECIFE. ANO 1920. PARTE INTEGRANTE DO DICIONÁRIO COROGRÁFICO, HISTÓRICO E ESTATÍSTICO DE PERNAMBUCO. IN GALVÃO, 2006.
ANEXO II
IMAGENS DA INFLUÊNCIA LUSA
Fonte: GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA
Fonte: ESTADO DE PERNAMBUCO. OBRA DE PROPAGANDA GERAL.
Fonte: ESTADO DE PERNAMBUCO. OBRA DE PROPAGANDA GERAL
Fonte: ÁLBUM DA COLÔNIA PORTUGUESA NO BRASIL.
Fonte: AUTOR.
Assinar:
Postagens (Atom)


